Jazida arqueológica descoberta por investigador no distrito de Braga

Centro Oleiro de Macarome 00

Arqueológo Luís Cónego localiza arqueosítio inédito detentor de características de ter funcionado durante o periodo romano como um centro oleiro (produtor de cerámica) de apoio à cidade de Bracara Augusta.


Notícia Preliminar do Centro Oleiro de Macarome, Cabanelas (Vila Verde)

Por Luís Cónego, Arqueólogo

Resumo: Esta notícia preliminar visa a localização de um arqueosítio inédito detentor de características passíveis de ter funcionado como um centro oleiro de apoio à cidade de Bracara Augusta.

Palavras-chave: Bracara Augusta; Romanização; Centro oleiro; Macarome

Abstract: This preliminary notice gives the localization of an unknown archaeological site with some characteristics to have functioned as a potery center who suplies the city of Bracara Augusta.

Key Words: Bracara Augusta; Romanization; Center Potter; Macarome

Résumé: Cette observation préliminaire vise la localisation d’un archéosite inédit de caractéristiques passibles d´avoir fonctionné comme un centre potier d’approvisionnement à la ville de Bracara Augusta.

Móts clés: Bracara Augusta; Romanisation ; centre potier ; Macarome


1. Localização e contexto do arqueosítio

O arqueosítio de Macarome localiza-se no distrito de Braga, concelho de Vila Verde, freguesia de Cabanelas, distando sensivelmente 6 quilómetros a noroeste da cidade de Braga.

Luis Cónego 01 Carta

Figura 1: Excerto da carta militar folha nº56 à escala 1:25000

As coordenadas geográficas são as seguintes: Latitude: 41°35’44.02"N, Longitude: 8°29’37.74"W, Altitude: 40 m

O local encontra-se implantado num planalto, no lado direito do rio Cávado, com uma privilegiada posição geográfica, sobre terrenos férteis proporcionadores da prática agrícola e bosques para a prática silvo-pastoril.

O arqueosítio ainda não se encontra identificado. Desta maneira esta notícia preliminar agora apresentada visa transpor um sítio que devido às suas características de uso do solo (terrenos em reserva florestal) e arqueológicas (evidencias de se poder tratar de um enorme centro oleiro, com infraestruturas), necessita de estudo delicado e aprofundado.

A primeira e única referência sobre o arqueosítio surge por Jerónimo Contador de Argote, em Memórias para a história eclesiástica do arcebispado de Braga (1732-34), que recolhe a versão, sem lhe dar crédito de poder tratar-se da primitiva povoação de Prado. Esta versão tem enquadramento físico e espacial devido à passagem da Via XIX, que ligava Bracara Augusta e Asturica Augusta, nas proximidades. Contudo existem teorias que asseveram a passagem da Via neste arqueosítio. Entre elas o traçado proposto por Carlos Ferreira de Almeida (in ALMEIDA 1979:103) que aponta a passagem da antiga Via em Oleiros (cruzando com este arqueosítio). O centro produtor cerâmico, ganha maior relevo devido à natureza argilosa do solo, que segundo Manuela Martins (1990:222) constituem os maiores e melhores barreiros da região do Cávado estendem-se de São Romão da Ucha a Prado.

Luis Cónego 02 Vista Aérea

Figura 2: Fotografia aérea onde se visiona os lagos artificiais da extracção de argila e o enquadramento do arqueosítio

2. Considerações prévias

O arqueosítio é detentor de todas as potencialidades para ter funcionado como um centro oleiro devido ao enorme acervo de material laterício (tegullae, ânfora, cerâmica comum entre outros materiais) disperso à superfície, existência de barreiros abandonados que parecem ser romanos, o tipo de vegetação (rasteira), a tradição oleira patente desde o período romano até à actualidade, sendo muito célebre no período medievo. Daí levantar-se a hipótese de este arqueosítio ter sido um complexo oleiro dotado de todas as condições necessárias para o fabrico de material laterício que abastecia as necessidades da cidade de Braga.

Luis Cónego 03 Vista campo

Figura 3: Perspectiva dos barreiros abandonados

Luis Cónego 04 Vista restos

Figura 4: Dispersão do material laterício

A existência de um complexo industrial em extramuros da cidade de Bracara Augusta concede maior importância ao sítio, pois até à data só são conhecidos vestígios de fornos dentro do perímetro urbano. Rui Morais (2005:84) alega que apenas se conhece a referência a um possível forno encontrado em duas intervenções de salvamento realizadas pela UAUM (1).

A cidade de Bracara Augusta encontrava-se interligada com o arqueosítio pela Via XIX, servindo a Via como “corredor” de extracção das matérias existentes em todos os povoados, visando o abastecimento da cidade colmatando as suas necessidades.

A actividade oleira foi muito importante no império romano, outrossim, na cidade de Bracara Augusta. Rui Morais (2005:83) afirma que a olaria foi sem duvida a industria mais significativa desta cidade romana e Manuela Martins(2000:21) refere, também, a importância da actividade oleira, tendo a generalidade de cerâmica comum de uso doméstico e provavelmente o fabrico de ânforas sido produzidas com argilas oriundas da zona de Prado.

Devido às excelentes condições geoestratégicas associadas à extrema abundância de matéria-prima (barro, água e lenha), pode-se avançar com a ideia de este arqueosítio ter sido um proeminente centro de produção de cerâmica com idoneidade de abastecer e satisfazer as necessidades de Bracara Augusta.

(1) Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho


Bibliografía

ARGOTE, J. C. (1732-34) – Memórias para a história eclesiástica do arcebispado de Braga, Primaz das Hespanhas. Lisboa.

ALMEIDA, C. A. B. (1979) – A rede viária do conventus Bracaraugustanos: via Bracara Asturicam Quarta, Minia. Braga, série 2.

BARROCA, M. (1993) – Centros oleiros de Entre-Douro-e-Minho (séc XVIII): Contributo para o seu inventário e cartografia, Arqueologia Medieval. Edições Afrontamento, 2.

MARTINS, M. (1990) – O povoamento Proto Histórico e a Romanização da bacia do curso médio do Cávado, Cadernos de Arqueologia: Monografias, Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, 8.

MARTINS, M. (2000) – Bracara Augusta: cidade romana, Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, Braga.

MORAIS, R. (1998) – As ânforas da zona das Carvalheiras, Cadernos de Arqueologia, Monografias, 8, Braga.

MORAIS, R. (2005) – Autarcia e comércio em Bracara Augusta: contributo para o estudo económico da cidade no período Alto-Imperial, Série Bracara Augusta Escavações Arqueológicas, 2. Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho/Núcleo de Arqueologia da Universidade do Minho, Braga.

PEIXOTO, A. (1966) – As olarias de Prado. Cadernos de Etnografia, 7,(Segunda Edição) Barcelos: Museu Regional de Cerâmica, Barcelos.

25/01/2007 18:54 Enlace permanente.

Comentarios » Ir a formulario

gravatar.comAutor: Ramiro

Me gusta su web. Veo que no soy el único loco que traslada su pasión a Internet.
Si quiere visitar mi blog, la dirección es:
www.historiaclasica.com
Si quiere intercambiamos links... lo que sea para aumentar el google page rank!!

Fecha: 25/01/2007 20:34.


gravatar.comAutor: Emanuel Campos

Na minha opinião acho este artigo muito ilucidativo e esclarecedor. Esperemos que no futuro surjam mais noticias sobre este arquesítio.

Fecha: 26/01/2007 21:31.


Añadir un comentario

*

*
No será mostrado.


*

* Datos requeridos.




Terrae Antiqvae

RUSO-RUSSIAN  INGLÉS-ENGLISH  ALEMÁN-GERMAN  FRANCÉS-FRENCH  PORTUGUÉS-PORTUGUESE

Correo de contacto

Últimas 100 imágenes en Flickr de Terrae Antiqvae

Canal de Vídeos de Terrae Antiqvae

Anfiteatro Cartagena

¿Te gusta el proyecto para el anfiteatro romano de Cartagena?
Sí, muy acertado
Sí, está correcto
Bueno, no esta mal
No me gusta
Se puede hacer mejor
Muy mal
  
Free polls from Pollhost.com

Museo del Teatro Romano de Cartagena

¿Cómo clasificas el proyecto de Moneo para el Museo del Teatro Romano de Cartagena?
Excelente
Bueno
Regular
Malo
Horrible
  
Free polls from Pollhost.com

 

Teatro Sagunto

¿Debe volver el Teatro Romano de Sagunto a su estado anterior?
No, mejor dejarlo como está
Sí, hay que demoler lo añadido
Hay que buscar un acuerdo
  
Free polls from Pollhost.com

Recibe en tu

CORREO

las últimas novedades

 

 

Gentileza de FeedBurner

Suscríbete al Foro de Debate

Temas


Visitar Terrae Antiqvae - Arqueologia - Historia Antigua y Medieval


Tiempo y Hora en Madrid Click for Madrid, Spain Forecast

Archivos

Enlaces

picasaweblogoTeAn

Boletín de noticias diarias de Arqueología, Historia Antigua, Medieval y Patrimonio de Terrae Antiqvae publicadas en los medios

Arqueología Medieval.com - Universidad de Granada

Noticias de Arqueología Medieval. Universidad de Granada



 

Los nombres de los 20 días del mes en nahuatl son los siguientes: cipactli, ehécatl, calli, cuetzpallin, coatl, miquiztli, mazatl, tochtli, atl, itzcuintl, ozomatli, malinalli, acatl, ocelotl, cuauhtli, cozcauauhtli, ollin, tecpatl, quiauitl, xochitl. Foto de la derecha: "Piedra del Sol", Museo Nacional de México

 

Los 18 meses del calendario solar de 365 días, recibían los siguientes nombres: atlcahualo, tlacaxipehualiztli, tozoztontli, hueytozoztli, txcatl, etzalcualiztli, tecuilhuitontli, hueytecuilthuitli, tlaxochimaco, hueymiccailhuitl, ochpaniztli, pachtontli, hueypachtli, quecholli, panquetzaliztli, atemoztli, tititl, izcalli y nemontemi.


http://terraeantiqvae.blogia.com
Suscrí
bete a este blog. RSS 2.0 Este Blog ha sido creado con Blogia. Ver derechos de autor . Estadísticas. Admin. [Blogia colabora con iCities, 1001 relatos y el I Encuentro Rural de Blogs.]